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Ásia de Olho na Crise Europeia

Dados de vários países da Ásia superaram esta semana as projeções de analistas, indicando que essas economias estão mais bem posicionadas para atravessar a crise da dívida da Europa.juros

As bolsas da região subiram ontem após o anúncio de que as exportações da China subiram 48,5% em maio, mais que os 32% previstos, de que as taxas de desemprego na Coreia do Sul e Austrália caíram no mês passado, e de que a economia do Japão cresceu mais que o estimado no primeiro trimestre.

"Os números são muito positivos", disse Brian Jackson, analista do Royal Bank of Canada em Hong Kong. "Os países asiáticos têm situação fiscal muito sólida e há crescente demanda interna, o que os ajudará a se proteger de qualquer choque vindo da Europa."

O crescimento da Ásia contrasta com vários países europeus, que ainda podem ver seus PIBs encolherem, com o risco de uma "recaída" da recessão, disse Andrew Burns, principal redator do boletim "Perspectivas Econômicas Globais" de 2010 do Banco Mundial.

Europa Oriental, Ásia Central e América Latina são as regiões em desenvolvimento que mais correm risco de sofrer impacto decorrente da crise que começou na Grécia, afirmou Burns.

O Banco da Coreia citou ontem a situação europeia para manter sua taxa de juros referencial no nível historicamente baixo de 2%. "Reina um grau considerável de incerteza sobre o rumo de crescimento atual, causada pelos problemas fiscais dos países europeus", disse o presidente do banco, Kim Choong Soo, e sua diretoria de política monetária, em comunicado ontem.

Ao mesmo tempo, a Ásia continuará liderando a retomada global, disse o vice-diretor-gerente do FMI, Naoyuki Shinohara, anteontem. Isso acarreta seus próprios desafios, com crescente ingresso de capital e o risco de superaquecimento, se as autoridades não conseguirem adotar uma ação "apropriada", afirmou em discurso.

Sinais de solidez econômica na Ásia estão levando os governos a elevar suas projeções. O premiê Najib Razak, da Malásia, disse ontem que o país deve crescer 4,2%, em média, no período 2006-2010.

A economia do Japão cresceu à taxa anualizada de 5% no primeiro trimestre, puxada por exportações e gastos dos consumidores.

A Alfândega da China disse ontem que o país anotou um superávit de US$ 19,53 bilhões na balança comercial de maio.

Por outro lado, o déficit da balança comercial dos EUA se ampliou em abril ao seu nível mais alto em mais de um ano, à medida que as exportações caíram mais que as importações, conforme dados do Departamento do Comércio. A defasagem cresceu 0,6%, para US$ 40 bilhões, a mais expressiva desde dezembro de 2008.

Algumas economias na região estão crescendo em ritmo veloz o bastante para as autoridades começarem a elevar os custos de captação de recursos. O banco central da Nova Zelândia elevou sua taxa básica de juros, de seu mais baixo nível histórico, de 2,5%, para 2,75% , no seu primeiro aumento em três anos.

O banco central da Índia vem aumentando a taxa desde meados de março, em um quarto de ponto percentual a cada vez, levando a taxa referencial a 3,75%.

Na Austrália, que praticou uma agressiva rodada de aumentos de taxa de juros, uma forte expansão nos investimentos em mineração continua alimentando a demanda por trabalhadores. A taxa de desemprego declinou de 5,4% para 5,2% , quase metade do nível dos EUA e Europa.

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