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Para Amir Khair, aumento da Selic agrava a inflação


Diante da decisão do governo de reduzir as taxas de juros, “os guardiões da inflação fazem uma verdadeira chantagem inflacionária, para pressionar o BC a manter a Selic elevada”, afirma o economista Amir Khair. “É o seu lucro em jogo e desfilam argumentos para mostrar que há ameaça de inflação no horizonte, pois: a) os preços dos serviços caminham para crescer 8% a 9% neste ano; b) o reajuste salarial de algumas categorias de trabalhadores está sendo feito acima da inflação passada; c) o novo salário mínimo vai aumentar o consumo e; d) os preços das commodities não vão cair, pois a China continuará a ter crescimento forte, demandando produtos”.

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Para o economista, há duas posições em debate. “A dos guardiões da inflação, liderada pelo mercado financeiro, vê inflação crescente devido ao excesso da demanda em relação à oferta. Para combater a inflação advogam a redução do consumo via elevação da Selic. Se o Banco Central (BC) não manter a Selic em nível elevado, perde a credibilidade e não ancora as expectativas dos formadores de preços, etc”, avalia. “Para essa corrente o país não pode crescer acima de 3,5%, pois fatalmente seria rompido o teto da meta de inflação de 6,5%, gerando o descontrole dos preços”, afirma em artigo publicado na Carta Maior.

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Gradualmente, economistas e analistas de mercado reforçam as apostas que a taxa básica de juros pode cair para o emblemático patamar de um dígito no ano que vem.

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Ainda é cedo para dizer que o mercado "deu o braço a torcer" ao Banco Central, após a surpreendente decisão de agosto de cortar a Selic para 12% ao ano. Mas o Relatório Trimestral de Inflação divulgado na semana passada consolidou o entendimento de que os cortes da taxa não se restringem a 2011.

"Mantemos nossa previsão de que a próxima reunião do Copom vai cortar a Selic em 100 pontos básicos, para 11%, e que a Selic vai terminar o ano em 9,5%," disse Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes da Nomura Securities em Nova York, em uma mensagem para clientes. "Ao mesmo tempo, reconhecemos a probabilidade de mais cortes se o cenário externo se deteriorar mais." No início de setembro, Volpon acreditava que o BC cortaria a Selic para 11,5% em outubro.

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Com a clara percepção de que os fundamentos econômicos atuais não permitiriam cortes agudos da Selic, o mercado de juros passou a se apegar, desde a última reunião do Copom, às declarações e notícias da equipe econômica para definir seu rumo.

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E, agora, foi a vez da presidente Dilma Rousseff ditar a forte devolução de prêmios na curva a termo de juros futuros, especialmente nos vencimentos curtos e médios, elevando a chance de um corte superior a 0,5 ponto porcentual na reunião do Copom em outubro. Na sexta-feira, a autoridade máxima do País afirmou que a intenção é manter a trajetória de redução de juros "de acordo com as condições econômicas do Brasil".

Neste fim de semana, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo informou que o nível da Selic almejado por Dilma no fim de 2012 é de 9%. Como o cenário externo segue se deteriorando devido à ausência de soluções para a crise de dívida na zona do euro, a munição para a queda dos DIs curtos foi reforçada e os longos também cederam.

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A presidente Dilma Rousseff quer aproveitar a crise internacional para reduzir a taxa básica de juros para pelo menos 9% no ano que vem, mas com cautela, segundo fontes do governo, para evitar que a inflação coloque em risco o consumo da nova classe média. mlujnu680268

A estratégia embute o risco de os preços continuarem elevados, com a inflação rodando acima da meta do governo por mais tempo que o desejado, o que corrói o poder de compra do consumidor.

O plano de voo traçado pelo Planalto e relatado à reportagem por dois ministros e um secretário de governo, prevê uma queda de 3 pontos porcentuais na taxa Selic, hoje em 12%. O corte seria possível, na avaliação do governo, porque a crise internacional provocaria queda de preços. A ordem é cortar juros, mas sempre dizendo que o ritmo vai ser determinado com "prudência".

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