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Mercado antecipa o Banco Central e taxa de juros recua

Em um cenário de desaceleração do ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e incertezas na economia mundial, a expectativa do mercado é de sucessiva queda na taxa básica de juros (Selic), até o patamar de 11% ao ano em 2011.

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Diante deste cenário, o sistema bancário se antecipa e realiza reajustes em suas taxas para operações de crédito, com tendência de recuo em maior velocidade do que a Selic no segmento de pessoa física, apontam especialistas. Outro fator indicado para a queda do custo do crédito é a maior oferta com redução da demanda, o que eleva a competitividade entre as instituições financeiras.

De acordo com pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), as taxas de juros caem em setembro de 2011 na comparação com o mês anterior, sendo o segundo mês consecutivo. Em pessoa física, a média geral reduziu 0,06% ponto percentual (p.p.) no mês, para 6,69% ao mês (a.m.), e 1,48 p.p. no ano, para 117,51% ao ano. Nas linhas pesquisadas para pessoa jurídica, a média geral obteve diminuição de 0,02 p.p no mês, para 3,97% a.m., e de 0,37% p.p. ao ano, para 59,55% a.a.

Segundo Miguel de Oliveira, vice-presidente da associação, há dois fatores influenciadores: a queda da Selic em agosto, para 12% a.a., e a probabilidade de novas diminuições, já que o Banco Central sinaliza o controle da inflação na meta somente em 2012. "Além do efeito da baixa de agosto, os bancos se antecipam, pois trabalham com a taxa de juros futura."

Oliveira aposta em mais duas reduções de 0,5 p.p., sendo uma na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de outubro e outra em novembro, até 11% ao ano. "A expectativa é de que os juros acompanhem a Selic. Mas se mantiver o cenário da economia mundial até o final do ano, acredito que as taxas para os consumidores diminuam ainda mais."

A mesma opinião é compartilhada pelo professor do Ibmec, Gilberto Braga. "É consequência da primeira baixa em agosto e a tendência é que continue. O reflexo pode ser observado tanto para empresas quanto consumidores, mas o primeiro sempre será menor pelas maiores garantias."

No segmento de crédito para pessoa física, o recuo mais significante é observado no empréstimo pessoal oferecido pelos bancos, de 2,40% em setembro ante agosto de 2011, para 4,47% ao mês e 69% ao ano, a menor desde fevereiro de 2001, quando chegou a 4,45% ao mês. Em seguida aparece o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para o financiamento de automóveis, também concedido por bancos, com redução de 2,18% em setembro na comparação com o mês anterior, para 2,24% a.m. e 30,45% a.a.

Nas linhas de cheque especial, o abatimento no custo do crédito ao cliente é de 0,24% em setembro deste ano em relação a agosto, para 8,23% ao mês e 158,33% ao ano. Cartão de crédito é a única taxa média a permanecer inalterada em 10,69% ao mês e 238,30% ao ano. "O cartão de crédito é mais caro do que os outros produtos porque o cliente utiliza da forma mais conveniente e há maior risco", explica o professor do Ibmec.

Das carteiras destinadas às empresas pelos bancos, capital de giro caiu 5,42%, ao passar de 2,95% ao mês em agosto para 2,79% em setembro de 2011, e a 39,13% ao ano. Desconto de duplicata também apresentou redução no mês passado, de 1,28%, para 3,09% a.m. e 44,08% a.a. Entretanto, o segmento de conta garantida apresenta elevação, de 2,38%, para 6,02% ao mês e 101,68% ao ano em setembro de 2011. "Conta garantida sobe pela maior demanda e risco da carteira", esclarece Miguel de Oliveira, da Anefac.

Além da antecipação às futuras quedas da Selic, o vice-presidente da associação destaca também a maior competitividade entre os bancos como agente influenciador da redução do custo do crédito. "No ambiente em que a economia cresce menos, há menor demanda por parte dos clientes, o que causa maior disputa. A pressão aumenta e os bancos diminuem os juros para não ficar fora do mercado de crédito".

Segundo a pesquisa de setembro da associação, a oferta de empréstimos continua a crescer, mesmo com redução no ritmo, sendo 1,7% na comparação de julho com agosto de 2011, 13,2% no ano e 22,2% em 12 meses.

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