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TR, taxa que corrige a poupança, caiu a zero

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Enquanto os brasileiros se preocupavam com as propostas – já esquecidas – de taxação da poupança formuladas pelo governo federal, um componente importante na remuneração das cadernetas caía a zero. A TR (Taxa Referencial), calculada pelo Banco Central com base em uma cesta formada por CDBs dos 30 maiores bancos do país, ficou em 0% nos meses de setembro, outubro, novembro e janeiro, e continua no mesmo nível neste mês.

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Pelas regras vigentes, as cadernetas de poupança são remuneradas pela TR mais um porcentual fixo de 0,5% ao mês. A queda da taxa significa que o rendimento da poupança está limitado ao seu valor mínimo (uma resolução do Banco Central impede que a TR tenha um valor negativo). A queda na taxa prejudica também o rendimento dos cotistas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que é corrigido por TR mais 3% ao ano.

Essa condição é positiva apenas para quem tem financiamento imobiliário pelo Sistema Fi nan ceiro da Habitação, com correção pré-fixada. Nesse caso, o aumento das parcelas será menor. “É um estímulo a mais para a compra da casa própria”, observa o professor José Guilheme Vieira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Se alguém estiver para assinar um financiamento imobiliário, sugiro fazer o contrato pré-fixado. É uma maneira de se beneficiar da TR baixa”, diz Lucas Dezordi, professor do FAE Centro Universitário.

Já as cadernetas de poupança passam por um momento de extremos. A rentabilidade de 2009 foi a menor da história: 7,05%. Já a captação líquida (ou seja, o total de depósitos menos o total de saques realizado no período) foi a segunda maior desde a criação desse instrumento financeiro, nos anos 60: R$ 30,4 bilhões.

Por trás dessa aparente divergência está a queda na taxa básica de juros do país, a Selic, que serve de referência para os juros oferecidos pelos bancos. No ano passado a Selic chegou também a um mínimo histórico, de 8,75% ao ano. Perto dessa taxa, a poupança tornou-se atraente – afinal, os poupadores não pagam imposto de renda nem taxas de administração.

A situação deve ser incorporada pelos brasileiros como definitiva. Embora deva-se esperar flutuações para os próximos meses, os patamares de rentabilidade devem continuar baixos, tanto para a poupança quando para outras aplicações de renda fixa. “É um bom sinal, na verdade”, diz o economista Fábio Araújo, professor da PUCPR e sócio da consultoria Brain Bureau de Inteligência Corporativa. “Um dos efeitos colaterais de o Brasil tornar-se um país normal é que as taxas de juros são mais baixas, tanto para quem toma empréstimos quanto para quem investe.” Por esse ponto de vista, é natural que os porcentuais sejam menores, agora que o país livrou-se de seu passado de hiperinflação, calotes da dívida pública e congelamentos de preços – essa é a “normalidade” de que Araújo fala.

Nesse novo ambiente, a rentabilidade da poupança é considerada razoável pelos economistas. “Ganhar 6,17% ao ano, sem pagar imposto e sem risco, é um ótimo negócio”, sentencia Araújo. Vieira, da UFPR, prefere uma comparação. “Se eu fosse japonês, estaria muito feliz com a remuneração da caderneta de poupança brasileira”, diz. No Japão, a taxa básica de juros – equivalente à nossa Selic – está em 0,1% ao ano, e aplicações de renda fixa rendem porcentuais muito próximos de zero.

Fonte: Gazeta do Povo

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